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Biblio Tubers

Pensamos a escola como sistema aberto, capaz de refletir a sociedade e de responder aos desafios contemporâneos. Acreditamos no poder da partilha e das redes. Defendemos os recursos abertos e a biblioteca como centro de saber na escola.

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De que se fala quando se fala de Ensino Híbrido?

Origem e características de cada modelo

Maio 27, 2020

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Imagem: https://www.thinglink.com/scene/1123799019135434755

 

Na continuidade do post Ideias para um modelo híbrido de ensino, o Biblio Tubers apresenta agora  os vários modelos que dão corpo ao Ensino Híbrido.

O ensino híbrido (desenvolvido por Clayton Christensen e Michael B. Horn*) serve-se da tecnologia para potenciar a aprendizagem em ambiente online e presencial - blended learning. Desta forma, promove-se a diferenciação do ensino e da aprendizagem - tempo, lugar, modo e ritmo - pelo que os alunos aprendem mais e melhor.

Este tipo de ensino implica a reorganização da sala de aula e a forma como o professor a gere, pois devem ser criados momentos de interação e colaboração entre os alunos, que se assumem como criadores da sua própria aprendizagem, com recurso à tecnologia.

De entre os modelos mais conhecidos de ensino híbrido, está a sala de aula invertida, criada pelos professores norte-americanos Jonathan Bergmann e Aron Sams.

Para além da sala de aula invertida, o ensino híbrido usa uma combinação de um ou mais dos modelos que se descrevem abaixo e que poderá conhecer com outro detalhe no sítio web blendedlearning.org. As imagens de cada modelo são também deste sítio web.

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Fonte: https://www.coursera.org/learn/ensino-hibrido

 

Flipped Classroom - Sala de Aula Invertida

O modelo de Sala de Aula Invertida inverte a relação tradicional entre o tempo de aula e os trabalhos de casa. Os estudantes aprendem em casa através de aulas online e os professores usam o tempo de aula para trabalho prático ou projetos.

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Station Rotation - Rotação por Estação

O modelo de Rotação por Estação permite que os estudantes circulem através das estações (trabalho de grupo, trabalho escrito, projeto, tutoria individual, pesquisa, turma completa...), num horário fixo. Pelo menos uma das estações é de aprendizagem online.

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Lab Rotation - Laboratório Rotacional

O modelo Laboratório Rotacional permite que os estudantes circulem nas estações em horário fixo. No entanto, neste caso, a aprendizagem online ocorre numa sala de informática. 

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Individual Rotation - Rotação Individual

O modelo de Rotação Individual permite que os alunos circulem nas estações, em horários individuais definidos pelo professor. Ao contrário dos outros modelos de rotação, os estudantes não têm de circular por todas as estações, mas apenas nas selecionadas pelo professor, tendo em conta o perfil de cada aluno.

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Flex

O modelo Flex permite que os estudantes se movam em horários fluídos entre as atividades de aprendizagem de acordo com as suas necessidades, em ambiente online. Os professores apoiam os estudantes de acordo com as suas necessidades. Este modelo promove a autonomia dos estudantes.

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À La Carte

No modelo À La Carte o curso decorre totalmente online com o apoio de um tutor, podendo manter-se o ensino presencial. Este modelo proporciona flexibilidade e é uma ótima opção quando as escolas não podem oferecer cursos de áreas específicas.

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Enriched Virtual - Virtual Enriquecido

O modelo Virtual Enriquecido é uma alternativa ao ensino a distância,  permitindo que os estudantes concluam a maioria dos cursos online, continuando a frequentar a escola para sessões presenciais com um professor. Ao contrário da Sala de Aula Invertida, os cursos no modelo Virtual Enriquecido geralmente não exigem a presença diária na escola; alguns cursos podem apenas exigir a presença do aluno duas vezes por semana, por exemplo.

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Mais do que usar a tecnologia como um fim em si, o ensino híbrido visa a integração real da tecnologia no ensino e na aprendizagem, isto é, os recursos digitais são os meios que garantem que cada estudante aprende ao seu próprio ritmo.

 

*CHRISTENSEN, Clayton M.; HORN, Michael B.; JOHNSON, Curtis W. (2008). Disrupting Class: How disruptive innovation will change the way the world learns. New York: McGraw-Hill.

      button_artigo-em-docx (2).pngbutton_artigo-em-pdf (3).png

 

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Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional.

Identidade Digital | Ponto de partida e de chegada

Para uma biblioteca que conhece a sua comunidade e responde às suas necessidades

Maio 17, 2020

O Biblio Tubers tem-se debruçado sobre a questão da IDENTIDADE DIGITAL enquanto ponto de partida e de chegada para aquilo que é, atualmente, cada indivíduo e cada instituição, na relação que estabelece com a comunidade em que se integra e a que dá corpo.

A Identidade Digital alavanca a mudança, pois ajuda a mudar o foco da biblioteca tradicional, ainda preocupada com a coleção física, para aquela que é a biblioteca desejável, a que conhece a sua comunidade e responde às suas necessidades.

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Photo by Alina Grubnyak on Unsplash

 

Face à emergência do digital e ao papel que as bibliotecas escolares devem assumir num novo paradigma educativo que caminha para um modelo de ensino híbrido (presencial e digital), urge retomar o conceito de Identidade Digital.

 

I - O Conceito

O que se entende por Identidade Digital?

A Identidade digital é constituída por um conjunto de canais (plataformas digitais) que uma biblioteca gere e atualiza com uma determinada regularidade para, de forma interessada e organizada, partilhar uma multiplicidade de informação, conteúdos, recursos e serviços - online e/ ou offline - nas comunidades que serve, nomeadamente professores e alunos, com o fim último de melhorar o ensino e a aprendizagem, em todas as suas vertentes.

[Canais digitais => Partilha => Comunidade escolar => Ensino e aprendizagem]

 

Qual a razão pela qual cada biblioteca deve definir a sua Identidade?

O conceito de Identidade Digital é fundamental porque:

  • diz às bibliotecas onde estão,
  • indica-lhes para onde devem caminhar,
  • permite-lhes saber, a cada momento, onde se situam,
  • ajuda-as a diminuir o gap entre bibliotecas,
  • permite que seja a própria biblioteca a situar-se em relação às outras, numa relação horizontal,
  • muda o foco da biblioteca, ainda preocupada com a coleção física, para aquela que é a biblioteca desejável, a que conhece a sua comunidade e responde às suas necessidades.

 

II – Estrutura

Quem constrói e como? Em que se consubstancia?

A responsabilidade do desenho da Identidade Digital da biblioteca é do professor bibliotecário e da respetiva equipa, após a auscultação dos diferentes órgãos de gestão intermédios e a aprovação em conselho pedagógico.

 

1. Canais

Blogue, página web, página no Facebook, Twitter, Instagram, Snapchat, Youtube, Linkedin, Slideshare, Anchor, (Chat, E-mail, formulários...)

Cada uma destas plataformas constitui-se como o veículo para disponibilizar conteúdos e recursos variados (divulgação e acesso à biblioteca digital, por exemplo), em multiformatos, bem como uma série de serviços que respondam às necessidades da comunidade, de forma regular, e que projetem a biblioteca para fora do seu espaço tradicional e físico.

 

2. Partilha

As plataformas utilizadas devem alimentar-se umas às outras, de forma estruturada, para chegar a um público mais amplo. A melhor forma de o fazer é criar um repositório (por exemplo na Box ou na Dropbox), onde se alojam conteúdos e recursos que, depois de devidamente organizados, são disponibilizados num blogue ou numa página web. 

Por isso, quando se disponibilizam recursos, estes devem ser originais, ou, caso se repliquem, é fundamental acrescentar-lhes valor. Veja a este propósito o artigo Curadoria Digital  | Uma competência do professor de hoje.

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Photo by José Martín Ramírez C on Unsplash

 

3. Comunidade

Num mundo cada vez mais digital, é na rede e com a rede que aprendemos ao longo da vida. Nesse sentido, a comunidade a que pertencemos é tão mais forte quão mais significativo for o contributo de cada um. 

 

4. Aprendizagem (ao longo da vida)

Todas as áreas do saber estão em constante evolução, pelo que qualquer profissional ou instituição, para se manter atualizado(a), deve rentabilizar a sua rede de partilha, isto é tirar partido daquilo que é criado na sua comunidade.

“O fim último de alcançar cada comunidade não pode ser esquecido, pois só assim se promoverá o acesso ao conhecimento e se tirará partido da rede de relações que são constituídas e estabelecidas socialmente em cada contexto - educativo, cultural, profissional ou até de lazer. A interação entre os atores sociais favorece dinâmicas de construção, partilha e difusão de informação e conhecimento.” In https://bibliotubers.com/o-impacto-das-redes-na-disseminacao-da-8772

 

 III – Avaliação

Ao Implementar a Identidade Digital da sua biblioteca, a equipa deve definir os critérios de avaliação, tendo como horizonte uma meta que responda à perspetiva de evolução da biblioteca na comunidade em que se insere.

Poderão ser utilizados indicadores como:

  • Número de acessos em cada um dos canais,
  • Números de acesso aos múltiplos conteúdos e recursos,
  • Número de interações de alunos e professores,
  • Grau de participação/ envolvimento da comunidade educativa no desenho, na disponibilização e na utilização dos recursos e serviços.

...

A título de exemplo, veja-se o artigo intitulado “O impacto das redes na disseminação da informação: O caso português da Rede de Bibliotecas Escolares”,  apresentado no 21st International Symposium on Computers in Education (SIIE) em novembro de 2019.

O artigo está disponível aqui: https://bit.ly/2WHIyoK 

 

Caso queira ler mais sobre este assunto, consulte os artigos listados abaixo:

  1. Afinal de que se fala quando se fala de identidade digital? | O conceito aplicado a nível individual e institucional.
  2. As Bibliotecas Escolares na encruzilhada... | ...do analógico ao digital
  3. Educação, Hoje | Perspetivas globais sobre a educação - OCDE
  4. O ADN de uma Biblioteca | Identidade digital... procura-se!
  5. O impacto das redes na disseminação da informação | O caso da Rede de Bibliotecas Escolares
  6. Pegada Digital | Os algoritmos e a importância dos dados
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Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional.

Ideias para um modelo híbrido de ensino

Transformar experiências de sucesso emergentes em práticas pedagógicas

Maio 16, 2020

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O regresso às aulas dos estudantes do ensino secundário, após o período de confinamento, levanta algumas questões que devem promover uma discussão alargada na comunidade educativa:

  • Como se avaliam as práticas pedagógicas e o impacto nas aprendizagens dos estudantes, durante o ensino a distância?
  • Destas práticas, quais se devem manter no regresso à sala de aula?
  • Quais as vantagens da criação de um modelo híbrido de ensino?

Têm surgido recomendações de especialistas de vários quadrantes que apontam para a necessidade de implementar um modelo híbrido de ensino, em que o presencial e o digital coabitem de forma natural.

Neste artigo, o Biblio Tubers apresenta algumas das ideias chave do livro de Hugo Pardo Kuklinski e de Cristóbal Cobo, intitulado "Expandir la universidad más allá de la enseñanza remota de emergencia."

Contudo, estas ideias são uma interpretação do Biblio Tubers, que tem em conta a realidade portuguesa do ensino básico e secundário. Organizam-se em 3 pontos principais.

 

1. Integração do digital em contexto educativo

A facilidade de acesso a múltiplas plataformas de aprendizagem e a ferramentas digitais é inegável. Apesar deste "cenário de possibilidades, persistem as dificuldades dos docentes na integração didática e na apropriação das ferramentas digitais."

A escolha de uma plataforma de LMS, ou de qualquer tecnologia educativa, deve ser pensada sempre com base na sua facilidade de utilização - a interface deve ser transparente e compreensível para todos os utilizadores.

Para além da questão da integração da tecnologia educativa e da sua apropriação por parte dos docentes, devemos ter também em conta questões como a privacidade, a gestão de dados e a acessibilidade.

Apropriação da tecnologia educativa

Ao escolher o recurso educativo digital, o docente deve dar primazia à necessidade pedagógica e não à ferramenta. Deve perguntar-se:

  • que aprendizagens quero que ocorram?
  • como fomentar uma aprendizagem eficaz, de forma inovadora?
  • de todos os recursos disponíveis em suporte digital, qual é mais relevante, tendo em conta o perfil dos meus alunos?

Os professores não podem recriar as práticas tradicionais, adicionando-lhes tecnologias novas e com isto pensarem estar a ser inovadores. Isto é, as escolas devem preocupar-se mais com o mindware (habilidades mentais) dos estudantes e não tanto com o hardware e software 

Moravec, John (2015). Manifesto 15.

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2. Produção de conteúdos educativos - as narrativas multimédia

Para transitar de um modelo presencial para um modelo a distância não basta utilizar tecnologia. Pelo contrário é um processo ambicioso que intergra as vertentes tecnológica, cognitiva, relacional e pedagógica. É preciso avaliar o que estamos a fazer e melhorar.

Para preparar conteúdos de aprendizagem a distância, devemos pensar nos conteúdos como uma linha finita de uma narrativa transmedia. Esta narrativa tem:

  • momentos síncronos e assíncronos,
  • conteúdos de consumo passivo (de um para muitos) e outros em que o estudante assume o papel de prossumidor (utilizadores que são consumidores e produtores).

Estas narrativas podem recorrer a wikis, editores de texto, blogues, hangouts, canais de podcasts, contas de Instagram ou de Twitter. E, se o aluno produzir conteúdos fora da agenda escolar, ou seja não apenas a pedido do professor, mas também para a rede digital, é o que se almeja. Para isso, temos de mudar o uso do tempo e do espaço de forma flexível e criativa. 

À semelhança da aprendizagem invertida, primeiro o estudante trabalha os conceitos teóricos de forma autónoma e virtual, através da proposta de narrativa criada pelo professor, e, posteriormente, no espaço coletivo da aula (presencial ou virtual) debatem-se ideias, fomenta-se o trabalho colaborativo, realizam-se tutorias.

 

3. Da classificação à autoavaliação 

Os professores que se centram na classificação académica devem evitar utilizá-la para manipular e manter o poder instituído.

As tecnologias têm acompanhado os processos de classificação massivo a distância, garantindo a segurança e a fiabilidade deste processo.

Contudo, a classificação massiva a distância não é suficiente para assegurar o controlo do processo de avaliação, pelo que se deve apostar na autoavaliação e na avaliação pelos pares. 

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Copiar, reutilizar, misturar e partilhar recursos educativos

A emergência dos Recursos Educativos Abertos

Maio 03, 2020

No seguimento do artigo "Tendências para 2020 | repositórios de recursos educativos abertos (REA)" o Biblio Tubers aborda algumas questões sobre os REA.

Comecemos por recuperar a definição: 

Recursos educativos abertos (REA) são conteúdos educativos de acesso livre e gratuito que podem ser utilizados para ensinar, aprender, investigar, entre outros propósitos. Esta definição da Creative Commons segue a mesma filosofia das propostas pela UNESCO e pela OCDE, sendo o denominador comum:

  • os destinatários - alunos e professores;
  • os objetivos - ensinar, aprender e investigar;
  • os materiais/ conteúdos educativos - textos, vídeos, testes, software, ferramentas para acesso ao conhecimento, entre outros.

 

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A criação de cenários de aprendizagem poderá e deverá ser enriquecida com o recurso aos REA, para que professores e estudantes possam aceder a repositórios digitais de partilha e utilização livre e legal para,  reutilizar, misturar, copiar e, claro, partilhar recursos.

Os REA deverão tornar-se, cada vez mais, repositórios essenciais para as instituições educativas, parecendo-nos mesmo que desta forma se poderá distinguir as organizações aprendentes e inovadoras das tradicionais.

 

Qual a origem dos REA? 

Este termo foi utilizado pela primeira vez em 2002 pela UNESCO, para designar o conjunto de recursos em livre acesso que podemos, de forma legal, descarregar, modificar  e partilhar.

 

De que tipo de recursos falamos?

Documentos escritos, vídeos, ficheiros áudio, ilustrações e fotografias, animações...

Podem ser exercícios, questionários, jogos, apresentações,...

Também se incluem aqui manuais escolares e cursos online.

 

Como partilhar um recurso sem violar o código de propriedade intelectual? 

O que caracteriza um REA é a sua licença aberta e as autorizações legais de utilização, modificação e partilha que concede ao público.

Se um recurso não mencionar de forma clara de que está em domínio público ou sob uma licença livre, não é um REA.

O meio mais fácil para o fazer é atribuir-lhe uma licença Creative Commons (CC). Isto está ao alcance de qualquer um de nós.

 

Instituições e criadores deverão facilitar o processo de acesso aos recursos e conteúdos que disponibilizam. Como?

Disponibilizando os ficheiros em multiformatos passíveis de facilmente serem editados e (re)utilizados. Indicando de forma inequívoca no documento o tipo de licença que se lhe atribui.

No vídeo abaixo encontra informação suplementar:

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Manual de Apoio à Aprendizagem Flexível durante a Interrupção do Ensino Regular | UNESCO 

ANOTADO by Biblio Tubers

Abril 24, 2020

Aprende-se em rede, partilhando experiências, experimentando, adequando, arriscando...

E a experiência de uns pode ser o ponto de partida para outros, para novos caminhos, mais pensados e refletidos.

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É com esse espírito que o Biblio Tubers apresenta hoje a Experiência Chinesa na Manutenção da Aprendizagem durante o Surto de COVID-19, relatada no Manual de Apoio à Aprendizagem Flexível durante a Interrupção do Ensino Regular, publicado e traduzido com a chancela da UNESCO.

Leia, consulte, reflita e (re)adapte.

Algumas das recomendações que a UNESCO deixa prendem-se com decisões a nível macro (como a questão da infraestrutura da rede ou a cooperação entre empresas, governos e escolas), não esquecendo, contudo, o papel essencial que os professores têm no processo de ensino e de aprendizagem.

O Biblio Tubers preparou uma apresentação com os aspetos que considera mais pertinentes e adequados ao contexto português.

Manual de Apoio à Aprendizagem Flexível durante a Interrupção do Ensino Regular | UNESCO

 

Chamamos a atenção para algumas das dificuldades apontadas neste manual, que servirão, certamente, para uma reflexão por parte da comunidade educativa:

- alguns professores podem ter dificuldade em encontrar recursos online que sejam os mais adequados aos seus contextos de ensino porque existem milhares de recursos publicados online; 

- alguns professores e alunos não possuem as competências digitais apropriadas para ensinar e para aprender online, o que poderá́ criar constrangimentos;

- alguns alunos carecem de competências de aprendizagem cruciais, como a capacidade de adaptação, o estudo autónomo, a autorregulação e a motivação, fatores essenciais para o sucesso da aprendizagem online; 

- alguns professores recorrem apenas a instruções diretas sem considerarem importantes fatores da aprendizagem online, como a interatividade, a presença social e cognitiva, dando origem a experiências de aprendizagem desmotivadoras.

Fica a reflexão.

 

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Afinal de que se fala quando se fala de identidade digital?

O conceito aplicado a nível individual e institucional

Abril 08, 2020

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Entrevista de emprego. Pergunta incontornável: 

Qual é a sua identidade digital? É que na nossa pesquisa não encontrámos nada sobre si. Afinal o que sabe fazer? 

Esta provocação introdutória serve apenas para nos centrarmos naquilo que interessa, quando falamos de identidade digital.

Não! Não é o número de posts que tem nas redes sociais, nem o número de seguidores. Não.

É o testemunho daquilo que sabe fazer profissionalmente, independentemente da sua área. Se não vejamos:

É professor? Qual o blogue ou página web que administra e onde disponibiliza conteúdos para os seus alunos e partilha documentos de interesse e reflexões pessoais sobre assuntos que lhe interessam e que contribuem para se manter atualizado?

É Jornalista? Escritor? Advogado? Arquivista? Bibliotecário? Político? Ativista?

O que partilha e como partilha na rede ajuda-o a construír a sua reputação ou a da entidade que integra.

E a sua rede profissional que públicos alcança? É disto que se fala quando se fala de identidade digital.

Por isso é que, numa entrevista de emprego, os recrutadores se interessam, cada vez mais, pela identidade digital (presença online), pois na resposta está quem somos profissionalmente, como nos atualizamos e como nos relacionamos com os outros.

Em suma, somos a reputação que construímos.

Retomemos a definição proposta por Jorge Borges (2018) para a identidade digital de uma biblioteca escolar para que se adeque a qualquer entidade, individual ou institucional: 

Conjunto de canais (plataformas digitais) geridos e atualizados regularmente para, de forma interessada e organizada, criar, partilhar e atribuir valor a uma multiplicidade de informação, conteúdos, recursos e, eventualmente serviços, na comunidade que serve, favorecendo a aprendizagem ao longo da vida .

 

Vamos decompor a definição nos quatro eixos que a integram.

 

1. Canais

Blogue, página web, página no Facebook, Twitter, Instagram, Snapchat, Youtube, Linkedin, Slideshare, Anchor...

Cada uma destas plataformas serve para disponiblizar conteúdos e recursos variados, em multiformatos, de forma regular.

 

2. Partilha

As plataformas utliizadas devem alimentar-se umas às outras, de forma estruturada, para chegar a um público mais amplo. A melhor forma de o fazer é criar um repositório (por exemplo na Box ou na Dropbox) onde se alojam conteúdos e recursos que, depois de devidamente organizados, são disponibilizados num blogue ou numa página web. 

Por isso, quando se disponibilizam recursos, estes devem ser originais, ou, caso se repliquem, é fundamental acrescentar-lhes valor.

 

3. Comunidade

Num mundo cada vez mais digital, é na rede e com a rede que aprendemos ao longo da vida. Nesse sentido, a comunidade a que pertencemos é tão mais forte quão mais significativo for o contributo de cada um. 

 

4. Aprendizagem ao longo da vida

Todas as áreas do saber estão em constante evolução, pelo que qualquer profissional, ou instituição, para se manter atualizado(a) deve rentabilizar a sua rede de partilha, isto é tirar partido daquilo que é criado na sua comunidade.

 

Para apoiar o processo de implementação da Identidade digital sugerem-se algumas plataformas digitais que dão suporte a este processo:

Identidade digital individual e institucional

 

Nota de rodapé: Todo este processo, nas suas várias fases, é indissociável do processo de curadoria, pelo que sugerimos a consulta do post Curadoria digital.

 

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Ensino remoto OU Ensino online?

Contexto, quadro conceptual e pistas de trabalho

Abril 07, 2020

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Um pouco por todo o mundo, escolas e  instituições do ensino superior estão a tomar medidas para dar continuidade ao processo de ensino e de aprendizagem, agora na modalidade a distância ou, como defendem os especialistas, remota. 

O ensino remoto altera a forma como se chega aos alunos. Tendo em conta o contexto de pandemia, não se pretende recriar o ecossistema educacional, mas permitir o acesso temporário à "escola".

De facto, não podemos passar de forma linear do ensino presencial para o ensino online sem fazer grandes alterações, o que implicaria tempo, riscos e dificuldades que as instituições de ensino não têm.

O ensino online é um processo que implica um desenho institucional cuidadoso e um trabalho de preparação que pode levar entre 6 a 9 meses.

Para apoiar as escolas, no momento em que necessitam de delinear a sua estratégia de ensino remoto, deixamos algumas pistas orientadoras para a criação de planos de ação e uma proposta de estrutura de um plano de aula remota.

Ensino remoto OU Ensino a distância?

Clique para consultar a apresentação

 

Face ao momento que vivemos, a comunidade educativa deve avaliar o impacto das propostas implementadas a nível nacional. Esta avaliação, mais do que preocupar-se em dados estatísticos e de níveis de desempenho de escolas, professores e alunos, deve centrar-se no processo, para assim permitir uma mudança efetiva e tão necessária:

  • Que práticas foram implementadas e que mudanças provocaram?
  • Destas práticas quais se devem manter?
  • Como foi a a interação com os diferentes atores educativos? E qual o seu feedback?
  • A infraestrutura tecnológica foi suficiente?
  • As aprendizagens foram avaliadas? Como? Com que resultados?
  • ...

Daqui decorre que devemos repensar modelos pedagógicos compatíveis com um mundo que nos exige, a cada instante, capacidade de readaptação, pelo que agilidade, flexibilidade e resistência são características cada vez mais necessárias, não só aos alunos e aos professores, mas também ao próprio sistema educativo.

 

Bibliografia recomendada:

 

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Quer ensinar online?

Mude a forma como pensa | Forbes

Abril 03, 2020

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A Forbes publicou hoje um artigo interessante sobre a temática que domina a educação por estes dias, o ensino a distância.

Da autoria de Enrique Dans, o artigo intitula-se Want To Teach Online? Change The Way You Think About It, (consultar na íntegra aqui) e reflete sobre o paradoxo que foi criado com a necessidade de fechar as escolas. De facto, apesar de termos a tecnologia disponível para o ensino a distância não estamos preparados - professores, alunos e famílias - para este novo paradigma.

No artigo, apresentam-se os principais motivos pelos quais se torna difícil ensinar e aprender online, a menos que olhemos para esta realidade de forma diferente.

 

1. Literacia digital dos professores

O ensino online exige mais do que uma compreensão ligeira da tecnologia envolvida. De facto, um pequeno obstáculo que facilmente se resolve em contexto de sala de aula pode tornar-se um grande problema, quando temos 20 ou 30 alunos do outro lado do ecrã.

 

2. Envolvimento do professor

Apesar do conhecimento ser um fator importante para o sucesso do ensino a distância, o envolvimento do professor é fundamental. Uma aula online exige mais trabalho e atenção do que uma aula presencial, sobretudo se utilizarmos recursos como fóruns assíncronos ou grupos de mensagens instantâneas, que são recomendadas, mas que exigem mais tempo.

 

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3. Literacia digital dos alunos

É recorrente ouvirmos a expressão "nativos digitais", para caracterizar os nossos alunos. Contudo, apesar de dominarem o Instagram e o TikTok, muitas vezes não conseguem realizar tarefas simples como anexar um arquivo a um e-mail ou guardar um ficheiro com um nome diferente.

 

4. O fosso digital

Nem todas as famílias têm computador e/ ou smartphone e a ligação à Internet é, por vezes, muito lenta ou inexistente. Nalguns casos, o acesso à internet faz-se por dados móveis que nem sempre são suficientes para este tipo de ensino. É fundamental que os responsáveis tenham em conta esta realidade que pode ser fonte de desigualdades

 

5. Ferramentas digitais

Para uma aula online ideal, deverá utilizar ferramentas que permitam criar vídeos, partilhar o seu ecrã, fazer videoconferência. Os alunos também devem ter acesso a fóruns onde possam discutir tópicos.

 

6. Metodologia

Uma aula presencial nunca pode ser replicada online. Isto é, numa aula online não se pode ler um texto e esperar que os seus alunos se mantenham atentos. Opte por disponibilizar o texto com antecedência para que os alunos o leiam. Online aproveite o tempo para discutir o texto, responder a questões dos alunos, ou levá-los a fazerem apresentações sobre ele. E, sobretudo, utilize tecnologias interactivas.

 

7. Experiência do aluno

Para além dos conteúdos, os alunos devem aprender a gerir as interações online. Nesse sentido, os professores devem utilizar ferramentas que possam ser facilmente apropriadas pelos alunos e que correspondam às suas expetativas. O professor não deve estar constantemente a utilizar ferramentas novas, pois num ambiente que é novo para os alunos, eles precisam de estruturas e referências claras.

 

8. Avaliação

Diversifique as suas metodologias de avaliação: projetos individuais ou em grupo, avaliação por pares, apresentações online, etc.

 

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O autor, e concordamos com ele, afirma que o ensino online veio para ficar, pelo que é necessário criar as condições para que os alunos possam acompanhar as aulas em casa sem que o processo de aprendizagem sofra prejuízos.

O artigo termina em tom provocatório, que não é mais do que uma chamada de atenção para a necessidade de fazermos "muito mais e muito melhor":

Se pensa que ensinar online é simplesmente ligar a câmara e replicar o que faz em sala de aula, ou mostrar uma apresentação e um documento e, em seguida, dar aos alunos uma ficha de trabalho, está enganado. Não é assim que os nossos alunos aprendem.

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Exemplos relevantes de organização do horário escolar

O caso de uma província do Canadá

Abril 02, 2020

O jornal The Guardian (Canadá) acaba de publicar uma notícia que dá conta de um excelente exemplo de organização do horário escolar e do currículo para as próximas semanas.

Este artigo está em linha com o que o Biblio Tubers tem sugerido para as nossas escolas, nomeadamente no artigo Proposta de horário escolar online.

Aqui deixamos os aspetos mais importantes do artigo intitulado School’s out: P.E.I. students get ready to hit the books at home.

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APRENDER EM CASA

Do pré-escolar ao 9.º ano, os alunos vão trabalhar as diferentes literacias. Esta é a prioridade das atividades que vão ser propostas pelos professores e que devem estar de acordo com o nível de ensino.

A duração das atividades escolares não devem exceder os 30 minutos diários para o Pré-escolar e os 90 minutos diários para o Ensino Secundário.

Os professores vão continuar a trabalhar com uma versão simplificada do currículo, pelo que foram identificadas as aprendizagens mais importantes. 

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Como podem as bibliotecas alargar os seus serviços durante a quarentena?

Conclusões do fórum virtual #BibliotecasEnCasa

Março 30, 2020

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No dia 21 de março, as bibliotecas que integram a IFLA, secção para a América Latina e o Caribe, dinamizaram um fórum virtual que analisou o papel das bibliotecas, em tempo de crise.

Todos os presentes concordaram que as bibliotecas devem assumir um papel de relevo durante a pandemia, não só na disponibilização de informação verdadeira e confiável, mas, sobretudo, na criação de novos serviços, cada vez mais digitais e adequados à comunidade que servem.

 

Os participantes deixaram algumas sugestões bastante úteis.

- As bibliotecas devem assumir-se enquanto espaços cada vez mais virtuais

- Cabe às bibliotecas o papel de criar espaços de reconexão e conexão pós COVID-19.

- Os serviços devem ser cada vez mais digitais e qualquer biblioteca deve estar viva, para se adaptar, em cada momento, às necessidades de hoje. 

- As bibliotecas devem disponibilizar novos serviços e criar conteúdos, adaptando-os ao formato digital. Os Clubes de Leitura Virtuais são um exemplo.

- As bibliotecas devem fomentar o pensamento crítico e o envolvimento de outros setores da sociedade, nesta época de isolamento.

Em síntese, a inovação e a criatividade são fundamentais para responder às necessidades de cada comunidade. Esta nova realidade exige uma sólida capacidade de adaptação a um contexto cada vez mais digital, sem esquecer o papel social que as bibliotecas têm na comunidade que servem.

Não esqueçamos que não é o espaço físico que faz uma biblioteca, mas sim a comunidade.

Oiça a participação de cada um dos intervenientes:

Leia o artigo na íntegra aqui.

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