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Biblio Tubers

Pensamos a escola como sistema aberto, capaz de refletir a sociedade e de responder aos desafios contemporâneos. Acreditamos no poder da partilha e das redes.

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Pensamos a escola como sistema aberto, capaz de refletir a sociedade e de responder aos desafios contemporâneos. Acreditamos no poder da partilha e das redes.

Ensinar e aprender no Séc. XXI: Os (novos) saberes

A aprendizagem ao longo da vida. O papel da Escola

Outubro 03, 2020

No âmbito das Jornadas de Utilização Pedagógica das TIC, organizadas pelo Instituto Politécnico de Leiria, no dia 2 de outubro de 2020, Jorge Borges (PNL 2027) dissertou sobre os novos saberes do (no) séc. XXI e sobre o papel que a escola deve assumir neste desiderato.

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Clicar na imagem para visualizar a transmissão

 

Esta comunicação assumiu um caráter provocador, pois levou os participantes a questionarem-se sobre três aspetos fundamentais:

1.º A formação contínua de professores

2.º A introdução da tecnologia nas políticas educativas em Portugal

3.º O papel do saber informal na Escola

4.º A centralidade da curadoria digital

Esta comunicação começou com uma reflexão em torno do Plano de Ação para a Capacitação Digital dos Professores, anteriormente apresentado pela diretora do Centro de Formação LeiriMar, Olga Morouço, e pela necessidade de ter em conta os ensinamentos do passado e os contributos do presente para que este plano de formação permita mudar práticas e não se cinja a questões técnicas, nomeadamente a utlização de determinadas ferramentas digitais.

A questão da aprendizagem, informal e em Rede, - o foco da comunicação - levou o orador à sociedade primitiva e à forma como o homem aprendia no passado e como aprende no presente. Que na essência não é diferente. Cada época tem a sua tecnologia, de acordo com a sua utensilagem mental, como se demonstrou com o caso do abade Marin Mersenne que, no séc. XVII, manteve uma  Rede, na Europa culta da época, com mais de 200 correspondentes. Enciclopedista, escrevia o seu pensamento e fazia-o chegar a cada um deles. Estes respondiam e ele coligia a informação. Criou uma obra com mais de 30 tomos. Este sábio comportou-se como um autêntico servidor, recorrendo à "tecnologia" de que dispunha na altura. Isto prova que o mais importante, em qualquer altura da história, é o fator humano.

As sociedades evoluem hoje a um ritmo vertiginoso, o que catapulta a aprendizagem ao longo da vida para primeiro plano, tornando a curadoria incontornável no processo de aprendizagem. É este processo que nos permite chegar ao conhecimento, pois facilita e alimenta o processo de aprendizagem, isto é, a transformação da informação em conhecimento, em qualquer idade, nivel de escolaridade e área profissional.

 

Ensinar e aprender no Séc. XXI: Os (novos) saberes

Na parte final, Filipe Santos, docente do Instituto Politécnico de Leiria e responsável pela organização das Jornadas, teorizou de forma notável sobre o conteúdo das comunicações, a partir dos comentários dos alunos.

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III Seminário Internacional de Tecnologia e Ensino | Brasil

A tecnologia na Educação em Portugal

Setembro 24, 2020

Breve resenha, diacrónica, sobre a implementação da tecnologia na educação, em Portugal.

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Do programa Minerva ao Plano de ação para a transiçao digital, em curso. 

Os grandes desafios da educação, a terminar.

A tecnologia na educação em Portugal

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A informação e o conhecimento na sociedade do séc. XXI

Os direitos de autor e a segurança da informação no mundo digital

Junho 06, 2020

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Photo by Andres Umana on Unsplash

 

O mundo mudou.

Hoje, o mundo virtual e o mundo físico sobrepõem-se e tornam-se indistintos. A informação é avassaladora e as multiliteracias são essenciais para se chegar à solidez do conhecimento.

 

os direitos de autor e a segurança da informação no mundo digital

 

Nunca como hoje foi tão importante saber procurar, selecionar, usar e comunicar a informação. Neste processo os direitos de autor, a referência bibliográfica, a citação ganham papel de destaque, até para se entender como o ensino, a aprendizagem, o saber e a ciência se desenvolvem e para que se perceba a diferença entre informação e conhecimento.

A apresentação começa com um breve enquadramento sobre a evolução dos direitos de autor ao longo do tempo, para se situar no século XXI, caracterizado pela emergência das multiliteracias, decorrentes do facto de assistirmos à passagem da biblioteca física para a Web.

Os conteúdos ganham predominância enquanto matéria prima, o autor caminha em paralelo com o produtor de conteúdos e o livro assume múltiplos formatos. Neste contexto, torna-se imprescincível selecionar e avaliar a informação, pelo que se apresentam estratégias para evitar o plágio e exemplos de ferramentas que facilitam a citação.

A apresentação termina com a explicação dos direitos de autor.

Nota: Esta apresentação, criada por Jorge Borges, serviu de suporte a uma sessão de trabalho com professores bibliotecários, pelo que a informação nela contida poderá estar incompleta. Este documento resume a opinião do autor.

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Avaliar e monitorizar o impacto da Identidade Digital da biblioteca

Do ponto de partida ao ponto de chegada | Que caminhos?

Maio 24, 2020

É comummente aceite que às bibliotecas escolares não basta, hoje, manter uma presença em linha - muito pelo contrário - elas têm de ser capazes de disponibilizar a informação e os serviços que acompanhem as necessidades da comunidade que servem e em que se integram, a cada momento e ao longo do tempo.

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A consulta do documento disponibilizado pela Rede de Bibliotecas Escolares, intitulado "Presença em linha das bibliotecas escolares: roteiro para a definição de uma política", orienta o trabalho dos professores bibliotecários na construção da sua presença digital.

A presença em linha, espelhada na identidade digital da biblioteca, não é algo que se construa e se dê como terminado. Não! É antes um processo que tem de se desenvolver e aperfeiçoar ao longo do tempo.

A pensar nesta realidade, o Biblio Tubers deixa aqui um conjunto de métricas que apoiam o trabalho das bibliotecas, de forma longitudinal. 

Desta forma, cada biblioteca pode perceber onde está (ponto de partida), definindo o caminho a seguir, através da implementação de práticas regulares de monitorização, ao longo do tempo.

Assim avaliará o seu impacto junto da comunidade educativa, bem como a qualidade e adequação dos serviços que presta.

Foram criados três questionários que, de forma simples e rápida, favorecem esta capacidade de reflexão em torno da ação da biblioteca.

1. Identidade Digital | diagnóstico - Este diagnóstico deverá ser o ponto de partida para a criação/ desenvolvimento da identidade digital de uma biblioteca que conhece a sua comunidade e responde às suas necessidades.

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2. Identidade Digital | monitorização - De forma regular, a biblioteca deverá monitorizar o seu desempenho, avaliando o impacto da sua identidade digital. 

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 3. Avaliação da Usabilidade dos canais - O Biblio Tubers disponibiliza, ainda, um formulário que permite aos utilizadores da biblioteca avaliarem a usabilidade e a taxa de utilização dos respetivos canais.

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Para facilitar o trabalho aos professores bibliotecários, disponibilizamos os formulários criados que poderão ser usados livremente por todos. Para isso, basta solicitar-nos o link de partilha dos formulários para o email: workprogress6@gmail.com

 

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Desconfinamento: o retomar da (a)normalidade?

Proposta 5 | Um novo normal, crónica de Henrique Costa Santos (Visão)

Maio 02, 2020

Dando continuidade ao Plano de trabalho síncrono em tempo de Covid-19, o Biblio Tubers apresenta a quinta proposta, dedicada ao planeta, à sustentabilidade e à cidadania, que poderá ser implementada pelos professores bibliotecários, no horário reservado à biblioteca, ou por qualquer professor que queira trabalhar a Cidadania e Desenvolvimento, com o objetivo último de promover o pensamento crítico, a tomada de posição e o ativismo junto dos seus alunos.

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Photo credit: crystalinks

Esta proposta, destinada a alunos do 3.º ciclo e do ensino secundário, parte da leitura e análise crítica da crónica de Henrique Costa Santos (Visão, 20/04), intitulada Um novo normal.

Uma vez que os alunos estão a trabalhar a distância, utilizando para isso plataformas de LMS (gestão de aprendizagem), sugere-se que os professores criem 5 grupos de trabalho e que os alunos possam interagir no seu grupo, procurando encontrar respostas para os desafios propostos.

Uma vez mais reforçamos que estas são pistas de trabalho que devem ser adequadas a contextos, formas de ensinar e perfis de aprendizagem dos alunos.

Apresenta-se abaixo a proposta de exploração, organizada em três etapas:

 

Etapa 1

Cada grupo, após a leitura ou audição individual da crónica, deverá tomar uma posição (a favor ou contra), face à afirmação do cronista, que deverá defender com argumentos válidos e fundamentados (no final do post existem um conjunto de links que os alunos deverão consultar, para tal).

 

Grupo 1

"Temos de consumir menos, produzir menos e encontrar fontes de energia alternativas aos combustíveis fósseis, ou estamos todos tramados."

 

Grupo 2

"A Greenpeace, entre outras organizações e movimentos ambientalistas, faz apelo a que se aproveite a infeliz oportunidade para sonhar com um mundo diferente. "

 

Grupo 3

"Não podemos fingir que nada disto tem a ver com “a forma como está organizada a sociedade, a produção e a economia, mas pelo contrário: é exatamente por estar organizada da forma que está que nós chegámos aqui."

 

Grupo 4

"É o sistema global que tem de mudar, se queremos durar enquanto espécie. O alastramento de novas doenças é uma de várias consequências previstas há muito pela comunidade científica."

 

Grupo 5

"Não podemos regressar ao normal sem conceber um novo normal. "

 

As conclusões de cada grupo serão apresentadas num momento síncrono, preferencialmente em vídeoconferência, sugerindo-se que os alunos façam um apanhado das suas conclusões e as mostrem com partilha de ecrã. 

Desta forma, para além de ajudar a estruturar a apresentação do trabalho do grupo, a visualização das conclusões facilita o acompanhamento pelos restantes grupos.

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Etapa 2

A primeira etapa permitiu aos alunos conhecer o texto e criou as condições necessárias para avançar para esta segunda etapa que implica uma análise mais refletida e aprofundada.

Sugere-se trabalho individual ou a pares.

 

Os tópicos para esta análise poderão ser os seguintes:

1. A comunidade científica tem vindo a alertar para a necessidade de:

  • consumir menos;
  • produzir menos;
  • procurar fontes de energia alternativa.

Como poderemos fazê-lo?

 

2. O Covid-19 teve consequências com repercussões positivas para o ambiente (redução de um milhão de toneladas de CO2 por dia), devido a:

  • fábricas a meio gás;
  • quebra no consumo de petróleo;
  • redução do tráfego aéreo.

Qual foi a resposta da natureza? Como manter a redução do CO2?

 

3. A forma como estamos organizados - sociedade / produção / economia - é responsável por mais de 75% das doenças da última década.

O que fazer para evitar a destruição dos ecossistemas, causadora destas doenças?

 

4. Os humanos são os únicos responsáveis pelo vírus Covid-19.

Como procurar soluções e não culpados?

 

Professor(es) e alunos reunem-se em sessão síncrona e, de forma organizada, são apresentadas as conclusões para cada uma das afirmações. Nesta fase, será importante levar os alunos a refletir sobre os temas associados ao ambiente e à sustentabilidade, sendo aconselhável a integração de conteúdos disciplinares que permitam novas aprendizagens (por exemplo, na área das ciências, matemática, português e até história e geografia).

 

Etapa 3

O cronista deixa algumas pistas de ação que poderão ser desenvolvidas pelos alunos, no sentido de encontrarem respostas para cada um dos desafios. Esta etapa poderá ser feita individualmente ou em grupo e sugere-se que os alunos criem produtos multimédia para a sua apresentação (vídeo, podcast, infográfico, texto com hiperligações e imagens...).

  1. Propostas para renovar as fontes de energia.
  2. Propostas para reformular os transportes.
  3. Propostas para construir novas redes de comércio.
  4. Propostas para a criação de novos empregos (verdes). 

 

O professor deverá alertar os alunos para a necessidade de citar as suas fontes. Para facilitar esta tarefa, sugere-se a utilização da ferramenta Cite this for me (consulte e disponibilize o tutorial de utilização aos seus alunos).

 

A apresentação síncrona das propostas dos alunos/ grupos poderá ser feita de 2 maneiras:

  • em direto (os alunos mostram e apresentam o seu produto multimédia);
  • ou apresentando um vídeo previamente criado. Neste caso com os alunos deverão fazer a gravação da sua apresentação e disponibilizá-la na plataforma de LMS. Sugere-se a utilização da ferramenta Screencastify.

 

Ler a crónica na fonte (Visão) aqui | Ler o artigo em .pdf

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Conteúdos relacionados:

 

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Manual de Apoio à Aprendizagem Flexível durante a Interrupção do Ensino Regular | UNESCO 

ANOTADO by Biblio Tubers

Abril 24, 2020

Aprende-se em rede, partilhando experiências, experimentando, adequando, arriscando...

E a experiência de uns pode ser o ponto de partida para outros, para novos caminhos, mais pensados e refletidos.

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É com esse espírito que o Biblio Tubers apresenta hoje a Experiência Chinesa na Manutenção da Aprendizagem durante o Surto de COVID-19, relatada no Manual de Apoio à Aprendizagem Flexível durante a Interrupção do Ensino Regular, publicado e traduzido com a chancela da UNESCO.

Leia, consulte, reflita e (re)adapte.

Algumas das recomendações que a UNESCO deixa prendem-se com decisões a nível macro (como a questão da infraestrutura da rede ou a cooperação entre empresas, governos e escolas), não esquecendo, contudo, o papel essencial que os professores têm no processo de ensino e de aprendizagem.

O Biblio Tubers preparou uma apresentação com os aspetos que considera mais pertinentes e adequados ao contexto português.

Manual de Apoio à Aprendizagem Flexível durante a Interrupção do Ensino Regular | UNESCO

 

Chamamos a atenção para algumas das dificuldades apontadas neste manual, que servirão, certamente, para uma reflexão por parte da comunidade educativa:

- alguns professores podem ter dificuldade em encontrar recursos online que sejam os mais adequados aos seus contextos de ensino porque existem milhares de recursos publicados online; 

- alguns professores e alunos não possuem as competências digitais apropriadas para ensinar e para aprender online, o que poderá́ criar constrangimentos;

- alguns alunos carecem de competências de aprendizagem cruciais, como a capacidade de adaptação, o estudo autónomo, a autorregulação e a motivação, fatores essenciais para o sucesso da aprendizagem online; 

- alguns professores recorrem apenas a instruções diretas sem considerarem importantes fatores da aprendizagem online, como a interatividade, a presença social e cognitiva, dando origem a experiências de aprendizagem desmotivadoras.

Fica a reflexão.

 

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Promoção da poesia em ambiente virtual

Proposta 4 | Cântico Negro de José Régio, por Diogo Infante

Abril 17, 2020

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Dando continuidade ao Plano de trabalho síncrono em tempo de quarentena, o Biblio Tubers apresenta a quarta proposta, dedicada à poesia, que poderá ser implementada pelos professores bibliotecários, no horário reservado à biblioteca, ou por qualquer professor que queira trabalhar o sentido crítico com os seus alunos.

Esta proposta, à semelhança das restantes, pode ser adequada e destina-se a alunos do 3.º ciclo e do ensino secundário.

Apresenta-se abaixo a proposta de exploração, organizada em quatro momentos:

 

Momento 1

Os alunos visualizam o vídeo em que Diogo Infante declama, de forma muito intensa, o poema "Cântico Negro", de José Régio.

 

Momento 2

O professor,  num chat, num fórum ou por vídeo conferência, pede que os alunos se incluam num de três grupos:

  • Os que gostaram do poema,
  • Os que ficaram indiferentes,
  • Os que não gostaram.

Cada grupo, durante 15 minutos, discute as razões da sua posição e nomeia um porta-voz que as apresentará aos colegas.

 

Momento 3

Os alunos voltam a visualizar o vídeo, acompanhando a declamação com a leitura do poema. Voltam a reunir em novos grupos que serão constituídos por elementos de cada um dos três grupos iniciais.

Nestes novos grupos, serão debatidas as razões pelas quais gostaram ou não do poema, devendo este debate ser acompanhado de tópicos de discussão, que ajudem os alunos a refletir sobre a mensagem do poema.

Uma vez mais, deve ser escolhido um porta-voz de cada grupo.

Sugerem-se alguns tópicos:

  • Utilização do "preto e branco" e a expressividade da linguagem corporal do ator,
  • A importância das frases negativas no poema,
  • A identificação dos obstáculos que o poeta encontra, por oposição às restantes pessoas que têm "estradas",
  • A coexistência de Deus e do Diabo.

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Momento 4

O porta-voz de cada grupo apresenta as suas conclusões e o professor lança, caso necessário, novos tópicos de discussão que levem os alunos a interpretar a mensagem do poema de forma crítica.

 

Sugere-se, a título de exemplo:

Por que me repetis: "vem por aqui"? - O poder do outro sobre nós, a tentativa de manipulação;

Não sei para onde vou - A imprevisibilidade da vida, das relações, da sociedade;

Sei que não vou por aí! - Pensar por si próprio, analisar os dados e a realidade envolvente e tomar decisões fundamentadas.

Estas propostas são apenas sugestões, cabendo a cada professor proceder às alterações que melhor entenda.

 

Reproduz-se aqui o poema na íntegra.

“Cântico Negro”

“Vem por aqui”- dizem-me alguns com olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: “vem por aqui”!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali…

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
—Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha Mãe.

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos…

Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Por que me repetis: “vem por aqui”?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
a ir por aí…

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas, e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?…
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos…

Ide! tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios…

Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: “vem por aqui”!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou…
Não sei para onde vou,
Não sei para onde vou
—Sei que não vou por aí!

José Régio

 

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Ensino remoto OU Ensino online?

Contexto, quadro conceptual e pistas de trabalho

Abril 07, 2020

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Um pouco por todo o mundo, escolas e  instituições do ensino superior estão a tomar medidas para dar continuidade ao processo de ensino e de aprendizagem, agora na modalidade a distância ou, como defendem os especialistas, remota. 

O ensino remoto altera a forma como se chega aos alunos. Tendo em conta o contexto de pandemia, não se pretende recriar o ecossistema educacional, mas permitir o acesso temporário à "escola".

De facto, não podemos passar de forma linear do ensino presencial para o ensino online sem fazer grandes alterações, o que implicaria tempo, riscos e dificuldades que as instituições de ensino não têm.

O ensino online é um processo que implica um desenho institucional cuidadoso e um trabalho de preparação que pode levar entre 6 a 9 meses.

Para apoiar as escolas, no momento em que necessitam de delinear a sua estratégia de ensino remoto, deixamos algumas pistas orientadoras para a criação de planos de ação e uma proposta de estrutura de um plano de aula remota.

Ensino remoto OU Ensino a distância?

Clique para consultar a apresentação

 

Face ao momento que vivemos, a comunidade educativa deve avaliar o impacto das propostas implementadas a nível nacional. Esta avaliação, mais do que preocupar-se em dados estatísticos e de níveis de desempenho de escolas, professores e alunos, deve centrar-se no processo, para assim permitir uma mudança efetiva e tão necessária:

  • Que práticas foram implementadas e que mudanças provocaram?
  • Destas práticas quais se devem manter?
  • Como foi a a interação com os diferentes atores educativos? E qual o seu feedback?
  • A infraestrutura tecnológica foi suficiente?
  • As aprendizagens foram avaliadas? Como? Com que resultados?
  • ...

Daqui decorre que devemos repensar modelos pedagógicos compatíveis com um mundo que nos exige, a cada instante, capacidade de readaptação, pelo que agilidade, flexibilidade e resistência são características cada vez mais necessárias, não só aos alunos e aos professores, mas também ao próprio sistema educativo.

 

Bibliografia recomendada:

 

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Promoção da literatura em ambiente virtual

Proposta 3 | Revisitando Fernando Pessoa

Abril 01, 2020

Apesar de estarmos em plena pausa letiva, os professores já estarão a pensar em propostas criativas, capazes de motivar e mobilizar os alunos para aprendizagens significativas em ambiente virtual, de que não se pode dissociar o recurso aos media.

Este é o  terceiro artigo que se apresenta na sequência da Proposta de horário escolar online, dedicada à literatura portuguesa e a um dos autores que é estudado em todos os ciclos, Fernando Pessoa.

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A proposta pode ser adequada a qualquer nível de ensino, quer através da seleção dos recursos a trabalhar a partir do blogue RBE, quer na seleção dos eBooks a ler, e ainda da proposta de produção a sugerir aos alunos.

De realçar que, decorrente da reação dos alunos às propostas, este projeto poderá ser alargado no tempo e no envolvimento de outras áreas disciplinares. Cabe a cada professor adequar, explorar, selecionar, propor...

Apresenta-se abaixo a proposta de exploração, organizada em 4 momentos.

 

MOMENTO 1

Os alunos serão convidados a ouvir o texto de Anabela Mota RIbeiro e Susana Sena Lopes, publicado originalmente na revista Tabacaria, e intitulado "Fernando Pessoa (p/ Sr. Moitinho)".

Dada a extensão do podcast, sugere-se que cada professor o adeque aos alunos e objetivos didáticos.

 

Sugestão:

Para envolver os alunos na audição do podcast, poderá sugerir-lhes que acompanhem a audição com a leitura do texto. Podem, ainda, fazer o levantamento de alguns dados, que favorecem a concentração e a ordenação de ideias.

A proposta de trabalho a apresentar aos alunos é organizada em torno de questões para as quais devem encontrar respostas. Para enriquecer as aprendizagens e fomentar o envolvimento dos alunos, os professores devem desafiá-los a apresentarem novas questões. 

A título de exemplo sugere-se:

  • Quem rodeava Fernando Pessoa?
  • O que estará na origem da seleção das obras literárias mencionadas no texto?
  • Qual a rotina diária de Fernando Pessoa?
  • Por que é que o aspeto físico (o que vestia e como vestia) era tão importante para o poeta?
  • Como enfrentava F. Pessoa as dificuldades financeiras e como as resolvia?
  • Quais os locais mencionados no texto e qual a relação que tinham com a vida de F. Pessoa?
  • Quem o conheceu realmente, em vida?
  • ...

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MOMENTO 2

A partir da primeira atividade, de motivação, o professor define com clareza o que pretende que os alunos aprendam sobre este autor. Esta decisão deve ter em conta os conteúdos a trabalhar na(s) disciplina(s) envolvida(s). E os alunos deverão conhecer os critérios de avaliação, para poderem autoavaliar o seu desempenho ao longo das tarefas.

Recorde-se que disciplinas como a História, Geografia, Cidadania, facilmente se podem integrar num projeto transdisciplinar, que deverá contar com o apoio da biblioteca escolar. Esta é também uma oportunidade para fomentar a leitura e a escrita.

Neste segundo momento, os alunos consultam os Conteúdos relacionados do blogue da RBE (selecionados ou não pelos professores) e alargam o seu conhecimento sobre as perguntas lançadas em 1. Podem e devem, ainda, levantar novas questões, favorecedoras de aprendizagens significativas.

 

Sugestão:

Esta é uma oportunidade para trabalhar a literacia da informação e dos media, pelo que se sugere que os professores escolham recursos de tipologia diferente. Por exemplo:,

um vídeo, Fernando Pessoa e os seus heterónimos | Ensina RTP;

um artigo de jornal, No quarto de Pessoa | crónica de Adriana Calcanhoto no Público;

um site, Casa Fernando Pessoa.

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MOMENTO 3

No seguimento das atividades anteriores, os alunos leem/ visualizam/ ouvem texto(s) de Fernando Pessoa. Uma vez mais, a escolha deve ficar ao critério dos professores. A título de exemplo deixa-se:

Estas leituras não devem perder de vista o fio condutor da proposta:

  • Quem rodeava Fernando Pessoa?
  • O que estará na origem da seleção das obras literárias mencionadas no texto?
  • Qual a rotina diária de Fernando Pessoa?
  • Por que é que o aspeto físico (o que vestia e como vestia) era tão importante para o poeta?
  • Como enfrentava F. Pessoa as dificuldades financeiras e como as resolvia?
  • Quais os locais mencionados no texto e qual a relação que tinham com a vida de F. Pessoa?
  • Quem o conheceu realmente, em vida?
  • ... (todas as que surjam decorrentes da leitura e pesquisa efetuadas pelos alunos).

 

Sugestão:

A página web Não sei o que o amanhã trará proporciona um "passeio sonoro" na Lisboa de Fernando Pessoa e é acompanhado de guiões que são muito úteis, quer para utilização autónoma pelos alunos, quer para a preparação das atividades para os professores.

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MOMENTO 4

Chegados ao final da sequência pedagógica sobre Fernando Pessoa, os alunos devem responder às questões lançadas na primeira atividade e às propostas acrescentadas pelos alunos:

  • Quem rodeava Fernando Pessoa?
  • O que estará na origem da seleção das obras literárias mencionadas no texto?
  • Qual a rotina diária de Fernando Pessoa?
  • Por que é que o aspeto físico (o que vestia e como vestia) era tão importante para o poeta?
  • Como enfrentava F. Pessoa as dificuldades financeiras e como as resolvia?
  • Quais os locais mencionados no texto e qual a relação que tinham com a vida de F. Pessoa?
  • Quem o conheceu realmente, em vida?
  • ... (todas as que surjam decorrentes da leitura e pesquisa efetuadas pelos alunos).

 

Dado o contacto com várias tipologias de textos, sugere-se que os alunos apresentem as suas conclusões com recurso aos media. Nesse sentido, sugere-se a criação de um blogue da turma que aloje, nesta fase inicial, os trabalhos dos alunos e, posteriormente, se alargue ao estudo de outros autores. Desta forma, os alunos podem apresentar os seus trabalhos nos mais variados formatos. Texto, som, imagem, som e imagem.

 

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Promoção dos media em ambiente virtual

Proposta 2 | O manual de literacia digital (MILD)

Março 23, 2020

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Dando continuidade ao Plano de trabalho síncrono em tempo de quarentena, o Biblio Tubers apresenta a segunda proposta, na área dos media, que poderá ser implementada, pelos professores bibliotecários, no horário reservado à biblioteca.

Esta proposta, à semelhança da Proposta 1 | Carta de uma adolescente aos adultos, pode ser adequada a qualquer nível de ensino, a partir da escolha dos textos dos media que os alunos deverão ler.

Os textos sugeridos são apenas propostas que devem ser adequadas a cada realidade educativa. Por exemplo, os professores bibliotecários que trabalham com os alunos do 1.º Ciclo podem optar por fazer a leitura dos textos propostos.

 

Apresenta-se, abaixo, a proposta de exploração que, partindo da leitura de textos dos media, remete o aluno para uma utilização autónoma do Manual de Literacia Digital (MILD), nas áreas da Leitura dos Media e de  Ler e Escrever na Rede.

 

1. Os alunos acedem aos artigos selecionados pelos professores e fazem uma primeira leitura. A título de exemplo, deixamos sugestões de textos para cada nível de ensino.

1.º Ciclo - Os nossos amigos invisíveis publicado na Visão Júnior, em 04/03 de 2020.

2.º Ciclo - Como lidar com o “vírus” da ansiedade e manter o equilíbrio mental na quarentena, entre o teletrabalho e a vida em família  da autoria de Clara Soares, publicado na Visão Júnior, em 23/03 de 2020.

3.º Ciclo - Podemos viver “offline” publicado na Visão Júnior, no dia 04/03 de 2020 OU Dependentes e vulneráveis da autoria de Diogo Agostinho, publicado no Expresso, em 23/03 de 2020 (para o 9.º ano).

Secundário - A sociedade da repetição de Walter Hugo Mãe, OU Dependentes e vulneráveis da autoria de Diogo Agostinho, publicado no Expresso, em 23/03 de 2020.

 

2. Na data/hora previamente acordada com os alunos, o professor bibliotecário abre a sala de conversa (sugere-se o Zoom) e lança o debate entre os alunos. 

Deixam-se algumas pistas para lançar o debate:

  • Qual o tema do artigo?
  • Concordas com a abordagem que é feita ao tema pelo jornalista/cronista?
  • Qual o tópico do artigo que mais dúvidas te suscita?
  • Se pudesses questionar o jornalista/cronista que pergunta lhe colocarias?
  • ...

 

3. Após esta reflexão com os alunos, é enviado um vídeo, disponibilizado abaixo, que explica como é que os alunos poderão usar o MILD para aprenderem a ler de forma crítica os textos dos media e a criar conteúdos para publicar na rede. Este vídeo abordará, ainda, de forma sumária a utilidade desta plataforma para os alunos.

 

4. O professor poderá dividir os alunos em grupos e pedir-lhes que escrevam artigos, para os media, sobre o tema que foi objeto de leitura, no respetivo ciclo. Os textos finais são lidos à turma e alvo de discussão. O professor, ou um aluno previamente selecionado, encerra a discussão fazendo a síntese do tema. 

Sugere-se ainda que os trabalhos sejam publicados e divulgados nas redes (blogues, Twitter, Youtube, Facebook, Instagram,...) com a hashtag #somosmild.
 

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