Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Biblio Tubers

Pensamos a escola como sistema aberto, capaz de refletir a sociedade e de responder aos desafios contemporâneos. Acreditamos no poder da partilha e das redes.

Biblio Tubers

Pensamos a escola como sistema aberto, capaz de refletir a sociedade e de responder aos desafios contemporâneos. Acreditamos no poder da partilha e das redes.

Avaliação | Novas perspetivas

O futuro da avaliação: 5 princípios, cinco metas para 2025

Agosto 27, 2020

A avaliação é uma componente essencial do processo educativo. É também uma das maiores preocupações dos docentes, que procuram assegurar a equidade e transparência de todo o processo. Ao longo do 3.º período do ano letivo transato foi, aliás, uma das questões mais prementes, apontada por professores, alunos e pais, dado o ensino a distância e a necessidade de avaliar os alunos, com recurso à tecnologia.

Será a tecnologia uma aliada neste processo?

O relatório apresentado pelo Jisc, e que conta com a colaboração de especialistas de renome na área da educação e da avaliação, aponta cinco objetivos que deveremos alcançar até 2025.

O Biblio Tubers disponibiliza o documento na íntegra, mas apresenta aqui essas cinco metas de forma resumida.

ricardo-arce-cY_TCKr5bek-unsplash.jpg

 

Introdução

A avaliação faz parte de qualquer processo em que nos envolvamos, desde a compra de uma peça de vestuário, até à escolha de um prato no restaurante. É essa avaliação (a roupa fica-me bem? O prato é bom? A relação qualidade preço é ajustada?) que me leva a aprender e a tomar as decisões mais acertadas, da próxima vez que tiver de voltar a escolher uma peça de vestuário ou o prato num restaurante.

Essa capacidade de tomar decisões acertadas é fundamental e assegura a qualidade de todo o processo, o que se torna especialmente importante se aplicada à educação.

A tecnologia tem vindo a assumir uma importância crescente no domínio da avaliação, podendo assegurar rapidez, adequação e equidade.

Nesse sentido, o relatório aqui apresentado aponta para a importância da tecnologia que pode estar ao serviço de uma avaliação que deve ter em conta cinco princípios:

        1. Autenticidade

Assegurar que a avaliação prepara os estudantes para o que vão fazer e, por isso, deve ser contextualizada e mais realista, tendo em conta as competências que se pretendem desenvolver nos alunos.

Desta forma, para além de se preparar o aluno para desenvolver múltiplas competências, levamo-lo a integrar os seus conhecimentos e capacidades, promovendo uma aprendizagem mais efetiva e integradora.

Exemplos: Criação de páginas web, de perfis online, produção de vídeos, utilização dos media.

Desta forma, podemos avaliar todo o processo de aprendizagem e não apenas o produto, para além de prepararmos os nossos estudantes para o mundo do trabalho, que é cada vez mais digital.

 

     2. Acessibilidade

A avaliação deve ser inclusiva, isto é deve estar acessível a todos, nomeadamente aos alunos com necessidades educativas.

Nesse sentido, a avaliação deve beneficiar todos os alunos, permitindo-lhes produzir o melhor trabalho possível, tendo em conta as capacidades de cada um. O facto de podermos utilizar a tecnologia esbate estas diferenças que se tornam mais evidentes em testes escritos.

Exemplos: Tirar partido das funcionalidades inclusivas da tecnologia (mudar o tamanho, cor, tipo de letra); permitir a utilização de voz ou a transformação da voz em texto e vice-versa.

franck-v-_E1PQXKUkMw-unsplash.jpg

 

     3. Automatização

A tarefa avaliativa deve ser facilitada para que os professores possam dar feedback aos seus alunos de forma mais rápida, detalhada e eficaz.

A tecnologia pode ajudar a automatizar alguns aspetos da avaliação, nomeadamente na atribuição da pontuação e no feedback.

Exemplos: Utilização de testes de escolha múltipla online.  Tirar partido de algumas funcionalidades da tecnologia como o corretor ortográfico.

Já existem alguns softwares (EUA) que comparam trabalhos de alunos e "dão feedback" (ACJ - Adaptive comparative judgment).

 

    4. Continuidade

A avaliação deve criar a oportunidade de melhoria contínua do estudante, preparando-o para a aprendizagem ao longo da vida e para uma adaptação constante à evolução que vivemos, sobretudo no mundo do trabalho.

Nesse sentido, é fundamental que os estudantes desenvolvam competências como a autonomia e a capacidade de aprender a aprender.

Assim, a avaliação deve ter um cariz formativo, para que o aluno se aperceba das suas fragilidades e possa melhorar de forma contínua.

Exemplos: Tirar partido das potencialidades da inteligência artificial para adequar os momentos de avaliação a cada um dos alunos; facultar momentos em que os alunos mostrem evidências do que aprenderam. 

 

     5. Confiabilidade

Assegurar que a avaliação é a adequada ao aluno e que o trabalho que é submetido por ele foi de facto feito por si.

A integridade académica é um aspeto a ter em conta, pelo que o desenho de um momento avaliativo é fundamental, devendo ter em conta a adequação das tarefas avaliativas e a personalização ao aluno, ao contexto e à situação de aprendizagem.

Exemplos: Para evitar fraudes, a tecnologia pode ajudar com dados biométricos, como o reconhecimento da impressão digital ou do rosto.

 

Conclusão

Para que o setor da avaliação inove, é necessário tirar partido das imensas oportunidades que o digital oferece. Só assim a avaliação poderá ser relevante e alinhada com as necessidades do mundo atual. Para isso, é fundamental que as instituições académicas melhorem as infraestruturas para que a tecnologia seja utilizada de forma efetiva e apropriada.

Licença Creative Commons
Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional.

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Twitter

Facebook