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Biblio Tubers

Pensamos a escola como sistema aberto, capaz de refletir a sociedade e de responder aos desafios contemporâneos. Acreditamos no poder da partilha e das redes.

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Pensamos a escola como sistema aberto, capaz de refletir a sociedade e de responder aos desafios contemporâneos. Acreditamos no poder da partilha e das redes.

Vou dar uma aula de substituição! E agora?

Soluções práticas para lidar com o inesperado

Setembro 19, 2020

A incerteza que caracteriza a vida nas escolas implica planeamento estratégico e rentabilização de recursos.

Os planos de contingência dos Agrupamentos para o ano letivo 2020/21 contemplam, em muitos casos, a criação de uma bolsa de docentes, que, face à ausência de um professor, deverá assegurar a ocupação dos tempos escolares dos alunos.

Normalmente, estas são horas da componente não letiva ou, quando existe insuficiência de tempos letivos no horário dos docentes, da componente letiva (Despacho 10-A/2015).

Neste contexto, os professores ver-se-ão confrontados com situações imprevisíveis, uma das quais o acompanhamento de uma turma, em modo de substituição por ausência do professor.

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É óbvio que esta substituição nem sempre será planeada e que, dificilmente, se conseguirá ter acesso a um plano de aula.

 

O que fazer então?

Aproveite estas aulas de substituição para trabalhar competências transversais, nomeadamente as inscritas no perfil do aluno do século XXI.

 

E como fazê-lo?

1. Lançar um tema para discussão, a partir de um texto dos média:

  • Artigo de jornal
  • Vídeo
  • Podcast
  • Publicidade

Onde encontrar recursos deste tipo?

Sugere-se a utilização de sites agregadores de conteúdos fidedignos, pois, para além da sua fiabilidade, disponibilizam uma considerável diversidade de textos e de formatos.

Exemplo: Depósitos de VALOR | Banca de conteúdos digitais.

Veja a título exemplificativo como pode utilizar esta banca:

 

2. Conversar com os alunos sobre o tema do recurso selecionado, após a sua visualização / leitura / audição.

Como?

Em grande grupo ou individualmente, através, por exemplo, de um mapa de ideias coletivo (sugere-se a utilização do Coggle), em que os alunos inscrevem a sua opinião para depois ser apresentada e discutida, confrontando diferentes pontos de vista.

 

3.Promover a criação de um produto pelos alunos

O quê?

  • Um texto escrito,
  • um problema matemático
  • Um esquema
  • Um vídeo curto
  • Um post para uma rede social
  • Uma equação criativa
  • Um podcast
  • ...

Provavelmente, não terá tempo para chegar à terceira fase, a  de produção, contudo o contacto com textos dos média e o confronto de ideias são sempre momentos de aprendizagem e de consolidação de conteúdos.

 

Que exemplos?

Consulte as seguintes propostas criadas a partir de... 

... um excerto de uma série televisiva

... um texto

...um anúncio publicitário

...uma crónica

...um vídeo

...a declamação de um poema

 

Atreva-se a experimentar! Sem receios e surpreenda-se com a reação dos alunos. Tire partido dos recursos que tem à mão. 

Só está sozinho na sala de aula quem quer, ou quem não ousa...

 

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O programa de mentorias no Agrupamento, descomplicado

Plano e exemplos de documentos de apoio

Setembro 06, 2020

Os programas de mentoria têm vindo a ganhar popularidade ao longo dos últimos anos, quer a nível académico, quer a nível profissional.

A nível académico, para além dos benefícios ao nível da motivação, estes programas permitem o acompanhamento dos estudantes, com ganhos significativos ao nível do seu desempenho e da sua integração na vida da escola.

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De acordo com as Orientações do Ministério da Educação, o programa de mentorias visa estimular o relacionamento interpessoal e a cooperação entre alunos. "Este programa identifica os alunos que, em cada escola, se disponibilizam para apoiar os seus pares acompanhando-os, designadamente, no desenvolvimento das aprendizagens, esclarecimento de dúvidas, na integração escolar, na preparação para os momentos de avaliação e em outras atividades conducentes à melhoria dos resultados escolares."

Em linhas gerais, um programa de mentoria procura que o mentor guie e aconselhe um mentorando, num ambiente de interajuda e através da realização de encontros regulares. É fundamental que a relação entre mentor e mentorando seja de confiança e respeito.

Os objetivos específicos a definir para um programa de mentoria variam de aluno para aluno, mas, normalmente, centram-se nas seguintes áreas de atuação:

  • motivação
  • rendimento escolar
  • relações interpessoais
  • comportamento
  • autoestima

 

Sugerem-se alguns passos para a criação de um programa deste tipo.

De realçar que este programa pode ser implementado presencialmente, a distância ou em regime misto/ híbrido. Para isso, dever-se-á criar uma área de mentorias na plataforma LMS do Agrupamento. Sugere-se que todos os documento sejam criados e utilizados em suporte digital para facilitar a monitorização de todo o processo.

 

1º Seleção de mentores

Os critérios para esta seleção são definidos por cada agrupamento de escola. Não obstante, esta seleção pode ser feita a partir de:

Nota: Para fazer face a um eventual número elevado de alunos inscritos no programa, poderá ser interessante criar uma bolsa de mentores diversificada, que dê resposta a diferentes necessidades.

 

2º Formação de mentores

Esta formação deve ser realizada no início do programa e visa, sobretudo, fornecer alguns conselhos aos mentores, uniformizando as estratégias de atuação.

Uma vez que os mentores são alunos, esta formação deve ser clara e concisa. Não invalida o acompanhamento regular por parte dos responsáveis pelo programa de mentorias, assegurando-se desta forma a adequação permanente e a resposta atempada a problemas que possam ocorrer.

 

Os temas a abordar poderão ser os seguintes. A título de exemplo, disponibilizam-se propostas de apresentação destes tópicos, que devem ser enriquecidas e adaptadas por cada escola.

a) Qual é o papel de um mentor?

b) Que procedimentos seguir durante as sessões?

c) Que atividades posso realizar nas sessões?

Este último item poderá ser diferente de mentor para mentor, tendo em conta as suas competências e o tipo de ação que vai desenvolver com o mentorando.

É fundamental que as sessões decorram num local onde haja um responsável a quem os alunos possam recorrer em caso de necessidade.

 

3º Criação do kit do mentor

Deverá ser criado um kit (conjunto de documentos em suporte digital ou físico) do mentor que deverá incluir:

  • Apresentação breve do mentorando e das áreas em que necessita de apoio;
  • Os objetivos da mentoria (simples e exequíveis) - estes objetivos deverão ser definidos em conjunto com o mentor e, se possível, o mentorando;
  • Cronograma das sessões;
  • Diário da mentoria - espécie de sumário do trabalho realizado em cada sessão. Deverá incluir um item para a avaliação.

Se possível, poderão ser incluídas no kit algumas propostas de trabalho, tendo em conta a área de atuação, que ajudarão o mentor nas sessões iniciais até conhecer melhor o colega.

Estes documentos poderão ser disponibilizados em formato digital para assegurar a facilidade de utilização, atualização e consulta, por parte da equipa e do diretor de turma dos alunos envolvidos.

 

4º Criação dos pares (mentor/mentorando)

O critério principal para a atribuição de um mentor a um mentorando deve ser pedagógico, isto é, o perfil do mentor deve adequar-se às necessidades do mentorando. Deve ter-se também em conta a compatibilidade de personalidades. 

Posteriormente, é fundamental ter em conta a disponibilidade de horários de um e de outro de forma assegurar-se a regularidade e continuidade das sessões.

 

5º Monitorização e avaliação

A equipa responsável pelo programa de mentorias deve acompanhar a par e passo os alunos mentores, devendo ajudá-los a:

  • Planificar as sessões iniciais para se assegurar de que o aluno se sente preparado para o trabalho a realizar, quer a nível emocional quer nas atividades a dinamizar com o mentorando;
  • Avaliar o trabalho realizado, introduzindo ajustes nas propostas de trabalho sugeridas pelo mentor, se necessário.

Pelo menos uma vez por período, a equipa responsável pelo programa deverá dinamizar uma sessão de acompanhamento, em que os alunos mentores apresentem:

  • conquistas
  • dificuldades
  • problemas/obstáculos

Em conjunto, podem surgir estratégias que poderão ajudar a melhorar desempenhos. Para além disso, é fundamental que se vá fazendo o acompanhamento de todo o programa para se introduzirem reajustes, quer ao nível dos pares criados (mentor/ mentorando), quer das estratégias implementadas.

***

Disponibiliza-se aqui o conjunto de documentos (REA) que facilitam a construção de todo o programa de mentoria num agrupamento ou numa escola não agrupada. Podem ser usados e, se assim se entender, alterados, livremente. Pede-se tão somente que se respeite a licença CC aplicada. Os formatos usados são .pdf, docx, e pptx porque usados em todas as escolas.

- Exemplo de uma ficha de candidatura espontânea do aluno;

- Exemplo de um diário de mentoria;

- Apresentação "O papel de um mentor";

- Apresentação "Procedimentos a seguir durante as sessões";

- Apresentação "Atividades a realizar nas sessões".

***

Para citar este artigo ou utlizar os documentos:

Bibliotubers (2020). O programa de mentorias no Agrupamento. From https://bibliotubers.com/o-programa-de-mentoria-no-agrupamento-35740

 

Bibliografia de apoio:

Guide d´implantation d´un programme de mentorat en milieu scolaire (2020). Retrieved 6 September 2020, from https://www.ctreq.qc.ca/wp-content/uploads/2014/09/Guide-Mentorat.pdf

Programme de mentorat au secondaire (2020). Retrieved 6 September 2020, from https://albertamentors.ca/wp-content/uploads/2013/10/mentorat_manuel.pdf

Partnering for Success - A Resource Handbook for Mentors (2020). Retrieved 6 September 2020, from http://www.edu.gov.on.ca/eng/teacher/NTIPMentor.pdf

A GUIDE FOR IMPLEMENTING PERSONALIZED STUDENT LEARNING PLAN (PSLP) PROGRAMS (2014). Retrieved 6 September 2020, from https://www.state.nj.us/education/cte/pslp/PSLPGuide.pdf

The mentor toolkit - 110 mentoring activities (2020). Retrieved 6 September 2020, from https://www.irscfoundation.org/uploads/files/Mentor_Toolkit.pdf

 

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Conselhos telegráficos para os professores

Para refletir e aplicar na atividade letiva

Agosto 29, 2020

Ao longo dos últimos posts, o Biblio Tubers tem refletido sobre os conselhos dos especialistas na área da educação e o resultado de alguns estudos que são unânimes em apontar três aspetos que se destacam:

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1. A autonomia e a capacidade de aprender a aprender e ao longo da vida são as competências chave para qualquer cidadão.

2. Os estudantes exigem um sistema educativo em que a conetividade e a aprendizagem digital, associadas ao desenvolvimento de soft skills (comunicação, pensamento crítico, resiliência), são primordiais.

3. A inovação em educação é premente e, desejavelmente, poderá passar pela criação de novos ambientes educativos, em que o aluno tem uma participação ativa na sua aprendizagem e em que a tecnologia é o meio que facilita o trabalho dos docentes e a aprendizagem dos alunos.

Neste início de ano letivo que está à porta, as dúvidas são muitas, fruto do Covid-19. 

Existem, contudo, algumas certezas que podem contribuir para a melhoria do processo educativo e que são aqui apresentadas em cinco conselhos telegráficos.

 

1. O aluno só aprende fazendo. Desafie-o.

Os conteúdos programáticos devem ser "descobertos" pelos alunos, através da utilização de metodologias ativas que os levem  a descobrir, a questionar, a aplicar e a comunicar/partilhar. A metodologia de trabalho de projeto ou a sala de aula invertida são bons exemplos destas práticas.

Se quiser saber mais:

 

2. O trabalho colaborativo entre professores deve ser a regra. Colabore.

Ao invés de cumprir horas "obrigatórias" de trabalho colaborativo, os docentes devem trabalhar em equipa, procurando criar oportunidades de aprendizagem verdadeiramente transdisciplinares e inovadoras.

O início do ano letivo é fundamental para a implementação de novas práticas de trabalho colaborativo, sobretudo ao nível de conselhos de turma em que os docentes devem planificar projetos que, por um lado, respondem às necessidade de cada turma e, por outro, fomentam aprendizagens disciplinares, mas sobretudo o desenvolvimento de mutiliteracias.

A regra é fazer menos e com mais qualidade. As grelhas e planos que copiam competências e aprendizagens essenciais servem de pouco se não tiverem aplicação prática. Simplificar e trabalhar com o outro dá-nos segurança e promove a mudança de práticas, que tanto urge.

Se quiser saber mais:

 

3. Avaliar para melhorar práticas e aprendizagens. Não complique.

Os critérios de avaliação em vigor nas escolas devem ser apropriados pelos docentes para que sirvam o propósito último que é a melhoria das aprendizagens dos alunos. Nesse sentido, as palavras de ordem são simplificar e diversificar.

Simplificar para que os alunos percebam o que se pretende que aprendam. A regra é sempre a de discutir os critérios de avaliação com os alunos. Crie rubricas de avaliação simples, funcionais e, sobretudo, exequíveis.

Diversificar no tempo, no modo e na forma de "fazer avaliação". Deixe para trás a ideia de que tem de avaliar tudo o que todos os alunos fazem. Procure recolher evidências daquilo que aprendem. Ouse estimulá-los, levá-los a mostrar o que aprenderam e como o fizeram. Em qualquer dos casos, o seu feedback é fundamental.

Se quiser saber mais:

 

4. O digital veio para ficar. Tire partido dele.

Os professores portugueses foram, no passado próximo, obrigados a usar plataformas de LMS e recursos/ferramentas digitais. Todo esse know-how deve ser rentabilizado para diversificar estratégias, recursos e até formas de avaliar.

O professor deve ousar misturar o ensino online e o presencial, criando momentos de trabalho diversificado em que diferentes alunos realizam percursos pedagógicos distintos. Por exemplo, alguns alunos trabalham online (ainda que na sala de aula) e outros em grupo ou individualmente com o apoio do professor.

Os cenários com recurso a um modelo híbrido são quase infinitos e permitem adequar as tarefas aos alunos e ao que cada um deve aprender.

Se quiser saber mais:

 

5. Os Recursos Educativos Abertos (REA) são de todos. Use-os.

Como se costuma dizer "a roda já foi inventada." Não perca tempo a criar recursos do zero, pois certamente já existem alguns que pode transformar e adequar às suas necessidades. 

Integre redes de aprendizagem onde, para além de poder usar os recursos existentes, pode partilhar também os seus.

Se quiser saber mais:

 

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Que formação de professores?

A emergência do aprender a aprender

Agosto 28, 2020

No século XXI, como em nenhum outro tempo, a formação é crucial para qualquer profissional. O avanço científico é tal que, quem não se mantiver atualizado, rapidamente ficará obsoleto, independentemente do seu grau académico.
O professor não foge à regra.

E a esta necessidade de atualização constante acresce a sua formação de base que, apesar de responder a questões muito específicas, não tem conseguido preparar o professor para desafios novos.

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Como resolver este problema?

A grande questão que se coloca à escola, hoje, é a da aprendizagem.

O cenário mudou radicalmente e quase da noite para o dia. Os avanços tecnológicos mudaram o mundo. As implicações na sociedade, nas instituições, na nossa vida são as de um terramoto. A Internet, a rede mundial de computadores, a Web materializam essa mudança e exigem que os profissionais da educação, sobretudo estes, sejam capazes de a usar em seu benefício.

Os professores só podem ensinar o que sabem, o que dominam e nem sempre são capazes de tirar o devido partido da tecnologia, isto é, usá-la como meio para, com menos investimento de tempo e de trabalho, os alunos aprendam mais e melhor.

Note-se que as bibliotecas tradicionais, fontes de informação e conhecimento até aqui, estão a passar por uma fase de estagnação. Se não forem capazes de se reinventar, a curto prazo, não passarão de museus... e isto para os mais saudosistas. Estas fontes de informação e conhecimento estão agora na Web, que se constitui já como a maior biblioteca do Mundo.
Trabalhamos, brincamos, viajamos, lemos, escrevemos, aprendemos, estudamos, socializamos na Web. Vivemos na Web.

O Biblio Tubers pensa, por isso, que a formação de professores deveria dotá-los, antes de tudo, de competências que lhes permitissem tirar partido da Web, para os tornar proficientes no que respeita ao aprender a aprender, com tudo o que isso implica.

Isto é, os professores devem ser capazes de, per si, adquirir novos conhecimentos e competências. Só assim, dominando este processo, serão capazes de o ensinar aos seus alunos. E só assim se poderia pôr fim ao ciclo “preciso de formação”, sempre que surge alguma novidade na área da educação.

Os professores devem ser capazes de se assumir como curadores de conteúdos, isto é devem saber procurar, selecionar, analisar, filtrar, organizar, validar e partilhar informação de diferentes fontes, com recurso a diferentes ferramentas digitais.

A formação deve, por isso, colmatar esta lacuna. A curadoria de conteúdos é uma competência imprescindível para qualquer profissional do século XXI e, particularmente, para o professor.

Dominando o processo de curadoria, o professor (ou qualquer pessoa) será capaz de reunir a informação necessária para crescer profissionalmente, isto é reuni-la para aprender sobre qualquer assunto e, ligando os pontos, transformá-la em conhecimento. É o que se pretende que a escola faça, desde sempre.

Por tudo isto, afigura-se-nos que a formação que se impõe é a da Curadoria Digital.

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Avaliação | Novas perspetivas

O futuro da avaliação: 5 princípios, cinco metas para 2025

Agosto 27, 2020

A avaliação é uma componente essencial do processo educativo. É também uma das maiores preocupações dos docentes, que procuram assegurar a equidade e transparência de todo o processo. Ao longo do 3.º período do ano letivo transato foi, aliás, uma das questões mais prementes, apontada por professores, alunos e pais, dado o ensino a distância e a necessidade de avaliar os alunos, com recurso à tecnologia.

Será a tecnologia uma aliada neste processo?

O relatório apresentado pelo Jisc, e que conta com a colaboração de especialistas de renome na área da educação e da avaliação, aponta cinco objetivos que deveremos alcançar até 2025.

O Biblio Tubers disponibiliza o documento na íntegra, mas apresenta aqui essas cinco metas de forma resumida.

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Introdução

A avaliação faz parte de qualquer processo em que nos envolvamos, desde a compra de uma peça de vestuário, até à escolha de um prato no restaurante. É essa avaliação (a roupa fica-me bem? O prato é bom? A relação qualidade preço é ajustada?) que me leva a aprender e a tomar as decisões mais acertadas, da próxima vez que tiver de voltar a escolher uma peça de vestuário ou o prato num restaurante.

Essa capacidade de tomar decisões acertadas é fundamental e assegura a qualidade de todo o processo, o que se torna especialmente importante se aplicada à educação.

A tecnologia tem vindo a assumir uma importância crescente no domínio da avaliação, podendo assegurar rapidez, adequação e equidade.

Nesse sentido, o relatório aqui apresentado aponta para a importância da tecnologia que pode estar ao serviço de uma avaliação que deve ter em conta cinco princípios:

        1. Autenticidade

Assegurar que a avaliação prepara os estudantes para o que vão fazer e, por isso, deve ser contextualizada e mais realista, tendo em conta as competências que se pretendem desenvolver nos alunos.

Desta forma, para além de se preparar o aluno para desenvolver múltiplas competências, levamo-lo a integrar os seus conhecimentos e capacidades, promovendo uma aprendizagem mais efetiva e integradora.

Exemplos: Criação de páginas web, de perfis online, produção de vídeos, utilização dos media.

Desta forma, podemos avaliar todo o processo de aprendizagem e não apenas o produto, para além de prepararmos os nossos estudantes para o mundo do trabalho, que é cada vez mais digital.

 

     2. Acessibilidade

A avaliação deve ser inclusiva, isto é deve estar acessível a todos, nomeadamente aos alunos com necessidades educativas.

Nesse sentido, a avaliação deve beneficiar todos os alunos, permitindo-lhes produzir o melhor trabalho possível, tendo em conta as capacidades de cada um. O facto de podermos utilizar a tecnologia esbate estas diferenças que se tornam mais evidentes em testes escritos.

Exemplos: Tirar partido das funcionalidades inclusivas da tecnologia (mudar o tamanho, cor, tipo de letra); permitir a utilização de voz ou a transformação da voz em texto e vice-versa.

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     3. Automatização

A tarefa avaliativa deve ser facilitada para que os professores possam dar feedback aos seus alunos de forma mais rápida, detalhada e eficaz.

A tecnologia pode ajudar a automatizar alguns aspetos da avaliação, nomeadamente na atribuição da pontuação e no feedback.

Exemplos: Utilização de testes de escolha múltipla online.  Tirar partido de algumas funcionalidades da tecnologia como o corretor ortográfico.

Já existem alguns softwares (EUA) que comparam trabalhos de alunos e "dão feedback" (ACJ - Adaptive comparative judgment).

 

    4. Continuidade

A avaliação deve criar a oportunidade de melhoria contínua do estudante, preparando-o para a aprendizagem ao longo da vida e para uma adaptação constante à evolução que vivemos, sobretudo no mundo do trabalho.

Nesse sentido, é fundamental que os estudantes desenvolvam competências como a autonomia e a capacidade de aprender a aprender.

Assim, a avaliação deve ter um cariz formativo, para que o aluno se aperceba das suas fragilidades e possa melhorar de forma contínua.

Exemplos: Tirar partido das potencialidades da inteligência artificial para adequar os momentos de avaliação a cada um dos alunos; facultar momentos em que os alunos mostrem evidências do que aprenderam. 

 

     5. Confiabilidade

Assegurar que a avaliação é a adequada ao aluno e que o trabalho que é submetido por ele foi de facto feito por si.

A integridade académica é um aspeto a ter em conta, pelo que o desenho de um momento avaliativo é fundamental, devendo ter em conta a adequação das tarefas avaliativas e a personalização ao aluno, ao contexto e à situação de aprendizagem.

Exemplos: Para evitar fraudes, a tecnologia pode ajudar com dados biométricos, como o reconhecimento da impressão digital ou do rosto.

 

Conclusão

Para que o setor da avaliação inove, é necessário tirar partido das imensas oportunidades que o digital oferece. Só assim a avaliação poderá ser relevante e alinhada com as necessidades do mundo atual. Para isso, é fundamental que as instituições académicas melhorem as infraestruturas para que a tecnologia seja utilizada de forma efetiva e apropriada.

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Que aprendizagens contemplar no plano de atuação em 2020/21

Definir o que é essencial para o sucesso de todos os alunos

Agosto 17, 2020

Na sequência da publicação das Orientações para a Recuperação e Consolidação das Aprendizagens ao Longo do Ano Letivo de 2020/2021 (ME, 2020), cabe às escolas criarem os seus planos de atuação onde contemplem as respostas organizacionais, curriculares e pedagógicas que encontraram para a recuperação e consolidação das aprendizagens dos seus estudantes.

Um dos primeiros passos a seguir é a seleção das aprendizagens consideradas verdadeiramente essenciais

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Estas aprendizagens são as que correspondem ao que os estudantes devem aprender, em cada ano, para terem sucesso. Distinguem-se de outras menos prioritárias e que servem para enriquecer o que o aluno aprende.

Estas aprendizagens são transferíveis e duradouras.

 

A elaboração do plano de atuação implica o trabalho colaborativo e envolve cinco momentos essenciais.

1.º Analisar os documentos de referência:

  • Perfil dos alunos
  • Aprendizagens essenciais
  • Documentos de avaliação e planificação utilizados em cada escola

Os professores poderão socorrer-se de outros documentos (exemplos de outras escolas, artigos de interesse, estudos inovadores,...).

É importante que os docentes clarifiquem conceitos, para que todos "falem a mesma língua" e trabalhem para o fim último que é o sucesso dos estudantes.

 

2.º Definir os resultados de aprendizagem

A equipa deve começar por definir os resultados de aprendizagem pretendidos, isto é, o que os alunos devem saber após um determinado período de tempo, numa determinada área.

Esses objetivos devem ser smart:

  • Específicos
  • Mensuráveis
  • Alcançáveis
  • Relevantes
  • Balizados temporalmente

Para saber mais sobre indicadores smart consulte este documento do Instituto Camões.

 

3.º Selecionar as aprendizagens a realizar pelos estudantes

A partir da análise dos documentos de referência, os docentes definem quais as aprendizagens essenciais, que todos os alunos deverão aprender. Isto é, os conhecimentos que os estudantes devem aprender e as competências que devem desenvolver para poderem avançar em cada área curricular.

Esta etapa é importante, pois implica clareza na definição das aprendizagens que devem ser discutidas com os alunos.

Nota: Não esquecer que se devem privilegiar as aprendizagens que sejam essenciais para o sucesso do aluno e que sejam transferíveis e duráveis. Devem ter-se em conta, também, as aprendizagens que poderão ser avaliadas em provas/ exames nacionais.

 

4.º Definir níveis de desempenho para cada aprendizagem

Após a seleção das aprendizagens essenciais, a equipa deve identificar os elementos observáveis ou as manifestações de aprendizagem que correspondam ao objetivo definido, através da definição de níveis de desempenho (adequados aos critérios de avaliação).

Os alunos devem ter conhecimento destes níveis de desempenho, isto é devem saber, de forma clara, o que se espara deles.

É importante, também, que a equipa pense na forma como os alunos vão demonstrar o que aprenderam (projeto, apresentação oral, teste escrito,...)

 

5.º Planificar o processo de ensino e de aprendizagem

A equipa pedagógica deve planificar as sequências de aprendizagem em conjunto.

Deve ser criado um documento flexível e aberto a alterações que podem e devem ser incluídas sempre que necessário, por exemplo para adequar a planificação ao ritmo de aprendizagem dos alunos.

Para cada sequência de aprendizagem, os professores devem definir uma tarefa de avaliação em conjunto que permita verificar se os alunos realizaram as aprendizagens pretendidas.

 

Uma nota final para a necessidade de criar planos realistas e viáveis que tenham efetivamente em conta o que é considerado prioritário para os alunos.

De realçar que este tipo de trabalho permite um alinhamento vertical do currículo, com as vantagens que daí advêm para os alunos, para além de favorecer o trabalho colaborativo entre os docentes.

 

Se tiver algo a acrescentar, por favor, use o espaço para comentários abaixo.

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O papel dos atores educativos na criação de REA

Caixa de ferramentas para curadoria e criação de recursos educativos abertos | AASL

Agosto 10, 2020

Esta caixa de ferramentas (toolkit) sobre recursos educativos abertos (REA), criada pela Associação Americana de Bibliotecários Escolares (AASL), está organizada em cinco cenários, que são apresentados a partir de personagens tipo, seguindo-se algumas questões de reflexão que permitem consolidar a informação veiculada no cenário.

O objetivo principal deste documento é ajudar os atores educativos a compreenderem o processo de curadoria e de criação de REA para as suas escolas.

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Apresentam-se, de seguida, os cenários organizados em torno de quatro personagens, que assumem os papéis que se apresentam abaixo.

Para aprofundar, consulte o documento original.

1. Diretores/ Administradores

O diretor aposta na disseminação de recursos educativos, consciente da importância dos REA para a sua comunidade educativa, não só pela redução de custos mas também pela excelente oportunidade de inovação que provocarão junto dos docentes.

A sua ação passa pela pesquisa de casos de sucesso e a sua apresentação aos docentes, pais e encarregados de educação, devendo envolver as chefias intermédias neste processo.

 

2. Coordenadores de bibliotecas

Para além da redução de custos e facilidade de atualização, o coordenador percebe também que os REA contribuem para o sucesso académico dos alunos e que se adequam cenários de ensino híbrido.

Contribui, ainda, para o desenvolvimento profissional dos professores bibliotecários, podendo ser utilizados inúmeros meios de disseminação. 

Este trabalho deverá ser antecedido de um período de diagnose (através da aplicação de questionários) para avaliar o grau de conhecimento dos professores bibliotecários, organizando-os em três categorias: iniciante, intermédio e avançado.

 

3. Professores bibliotecários

Dada a sua formação de base, o professor bibliotecário terá já alguns conhecimentos de REA e pode, por isso, liderar este movimento na sua escola. Nesse sentido, poderá ajudar os professores a avaliar recursos educativos, assegurando a sua efetiva utilização em contexto de sala de aula.

Pode servir de exemplo, disponibilizando materiais criados por si e divulgando-os junto dos professores, para que estes façam o mesmo. Isto é, ajuda os professores a fazerem a curadoria dos seus próprios recursos e a partilha local e global.

 

4. Professores/Educadores

O professor deve colaborar com o professor bibliotecário e, caso necessário, poderá fazer alguma formação sobre REA, por exemplo ao nível de departamento curricular.

Desta forma, o professor aperceber-se-á das potencialidades da tecnologia na criação e disseminação dos REA, tomando conhecimento de outros recursos educativos de qualidade que poderá utilizar nas suas aulas. 

 

Esta caixa de ferramentas disponibiliza ainda recursos muito interessantes, para cada um dos cenários, que ajudarão as escolas a implementar novas práticas pedagógicas assentes em REA.

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O Biblio Tubers na Rede

Somos e crescemos em Rede

Agosto 06, 2020

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Photo by Riccardo Annandale on Unsplash

 

Sítios na web que citam/ partilham o Biblio Tubers. Gradualmente irão ser incluidos mais. Poderá colaborar connosco deixando outros links nos comentários a este post.

 

Instituições

 

Agrupamentos de Escolas e outros

 

Blogs pessoais



Centros de formação / Formação

 

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O futuro da educação está aqui!

Orientações das Nações Unidas para a Educação durante e pós COVID-19

Agosto 06, 2020

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Photo by Ante Hamersmit on Unsplash

 

As Nações Unidas acabam de lançar o documento "Policy Brief: Education during COVID-19 and beyond" onde apresentam a campanha "Salvar o nosso futuro" que está organizada em torno de quatro áreas chave:

  1. Reabertura das escolas, que deve envolver os vários parceiros, pais, professores, técnicos, jovens...
  2. Financiamento da educação, pelo que é imprescindível que os decisores políticos invistam em políticas educativas capazes de reinventar, de forma séria, o ensino.
  3. Reforço da resiliência dos sistemas educativos para assegurar a equidade e o desenvolvimento sustentável, sem esquecer os grupos em maior risco de exclusão.
  4. Reimaginar a educação para acelerar a mudança positiva do ensino e da aprendizagem, pois vivemos numa época em que é necessário implementar mudanças de fundo.

Por isso, é preciso investir em literacia digital, em infraestruturas, no aprender a aprender, apostando no rejuvenescimento da aprendizagem ao longo da vida e no fortalecimento das relações entre a aprendizagem formal e não formal.

 

O secretário geral da Nações Unidas, António Guterres, lançou a campanha "O futuro da educação está aqui" onde apresenta as linhas gerais do documento, reforçando a necessidade da inovação.

 

António Guterres defende que o futuro da humanidade depende da educação, alertando para os riscos da pandemia que deixou de parte os mais vulneráveis e aumentou as desigualdades. Nesse sentido urge dar passos que criem inclusão, resiliência e sistemas educativos de qualidade.

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Repensar o futuro da educação: o que pensam os jovens?

Das soft skills à aprendizagem digital

Agosto 02, 2020

A 15 de julho, as Nações Unidas comemoram o Dia Mundial das Competências dos Jovens, reconhecendo a capacidade que têm de fazer escolhas relativamente à sua vida académica e profissional.

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Photo by Felicia Buitenwerf on Unsplash

 

Este ano, face à situação de pandemia, s jovens apresentaram sugestões para redesenhar a educação no pós Covid-19, para fazer face a um mundo que muda tão rapidamente.

De entre as competências que entendem privilegiar, destacam quatro:

  1. Competências modernas, que preparem o jovens para a aprendizagem ao longo da vida o que implica a atualização dos currículos académicos.
  2. Soft skills são a chave, nomeadamente a comunicação, o pensamento crítico, a resiliência...
  3. Conetividade e aprendizagem digital são fundamentais em educação, pelo que os sistemas educativos devem privilegiar a vertente digital.
  4. Descentralização da educação, de forma a alcançar comunidades vulneráveis.

 

Leia o artigo na íntegra abaixo:

 

Reimagining the future of skills: what do young people think?

  • COVID-19 is casting a long shadow over the futures of young people all around the world.
  • On World Youth Skills Day, we asked young people their thoughts on redesigning education and skills for the post-COVID era.

 

 

 

Referência: Reimagining the future of skills: what do young people think?. (2020). Retrieved 2 August 2020, from https://www.weforum.org/agenda/2020/07/reimagining-future-skills-what-we-learned-young-people/

 

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