As experiências da Estónia, Uruguai, Finlândia, República da Coreia e EUA foram o ponto de partida para a procura de respostas que se poderão colocar no próximo ano letivo e que são apresentadas no documento que aqui analisamos - Tecnología: lo que puede y no puede hacer por la educación - Una comparación de cinco historias de éxito , do Banco Interamericano do Desarollo :

  • O que acontecerá se as escolas encerrarem?
  • Como podem os estudantes aprender sem a presença física de um professor?
  • Como avaliar as aprendizagens dos estudantes?

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O pensamento que sobressai destes cinco exemplos podem trazer pistas importantes para os planos de ação que as escolas estão a criar para o próximo ano letivo.

As orientações do ME apontam preferencialmente para o ensino presencial , contudo, sabemos que, de um momento para o outro, a educação pode ficar inteiramente dependente da tecnologia. Mais do que um problema, esta é uma oportunidade para desenvolver novas capacidades, necessárias para o sucesso pessoal, académico e profissional na era digital.

Nunca foi tão importante o aprender a aprender , o que implica uma profunda alteração nas formas de aprender e ensinar nas nossas escolas. Para além de competências sócios-emocionais como a empatia, a adaptabilidade, a resiliência, as competências digitais , como o pensamento crítico, a comunicação, a criatividade e a resolução de problemas associam-se  à necessidade de aprender ao longo da vida .

E, se nada disto é novo, agora, tornou-se premente.

Que desafios para as escolas?

  1. Implementar novas formas de aprender, a tecnologia permite adaptar/ diferenciar o processo de aprendizagem, criando instruções individualizadas, dentro do grupo turma, o que pode diminuir as desigualdades ao nível da aprendizagem.
  2. Atualizar o papel dos docentes, centrando a mudança/ inovação nas práticas pedagógicas consentâneas com as novas formas de aprender. Isto implica valorizar os professores e dar-lhes autonomia para que tomem decisões a nível local.
  3. Diversificar as práticas docentes , apostando na sua formação para a criação de recursos de aprendizagem adequados aos seus alunos e a novos ambientes de aprendizagem.
  4. Alinhar a educação com uma sociedade cada vez mais digital , pois as escolas devem ver a aprendizagem como um processo flexível, aberto e colaborativo que pode acontecer em qualquer parte, enriquecida com a tecnologia digital.

Veja-se a este propósito o modelo de aprendizagem inteligente do sistema educativo finlandês:

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Esta nova forma de ver e fazer educação implica uma rutura com a configuração tradicional da aula, gerida por um professor que controla o processo de ensino e aprendizagem. Os novos ambientes educativos  devem promover a participação ativa dos estudantes na sua aprendizagem. O papel do professor é criar esses ambientes, discutindo os objetivos de aprendizagem com os estudantes e mostrando-lhes que são eles próprios que determinam a qualidade da sua aprendizagem.

A cultura organizacional da escola tem um papel importantíssimo para esta alteração de práticas. Colaborativamente, os professores devem desenhar estes ambientes de aprendizagem inteligentes, nomeadamente as metodologias a implementar e as ferramentas a utilizar, sem esquecer a importância de uma gestão adequada dos ambientes físico e virtual.

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A avaliação, vista como elemento integrante de todo o processo, é fundamental, sendo o e-portefólio uma ferramenta poderosíssima, não só a  para a aprendizagem mas também para a avaliação.

O Biblio Tubers já disponibilizou um guia, dividido em três partes, sobre e-portefólios .

As cinco experiências apresentadas no documento mostram que a tecnologia pode ter um grande impacto nos processos de aprendizagem dos indivíduos e das sociedades, contudo, esta alteração só acontece se os líderes acreditarem nessa transformação, o que implica a tomada de decisões a nível local e não central.

 

Nota : As figuras apresentadas encontram-se no documento original aqui analisado.